quarta-feira, 13 de abril de 2011

Adeus à competição, a Deus a criação!

Adeus à competição, a Deus a criação!
Diz-se que a competição é a alma da vitória. Entendo que não. Considero a competição a mola propulsora do estresse. Viver para competir parece vazio em si mesmo. A competição não um componente da natureza, é um desvio da consciência humana. Os animais não competem entre si. As árvores e os outros seres da biosfera não estão entrelaçados por elos competitivos. Não serão vencedores, se todos não vencerem.
As pessoas, ao contrário, competem entre si. Vivem emaranhadas de competição: competem no trânsito para ver quem corre mais, quem ultrapassa mais, quem tem o carro mais bonito e luxuoso, quem atropela mais e até quem morre mais imbecilmente, infringindo a lei. Competem no trabalho para sentir quem ganhará mais, quem obterá mais proximidade com os chefes, quem se aproveitará mais das circunstâncias declaradas de oportunidade, quem derrubará mais o outro. Competem em casa para ganhar mais razão nas discussões, mais o controle do controle remoto, a coxa do frango, o espaço no sofá grande, o direito de não fazer o que deve ser feito e aí por diante.
A competição é um câncer meio ao contrário, ela se enraíza na consciência com força e tamanho gigantescos, depois vai se auto-minguando, até extirpar-se por si mesmo, pelo esvaziamento de sentido. Afinal competir pra quê?
É óbvio que os auto-ajudistas, doutrinados pela competitividade de plantão, torcerão o nariz em puro sinal de desdém à idéia de que a competição aprisiona o ser humano a uma consciência menor, embora todos saibam claramente que a competição acirra a divagação sobre a existência de vencedores e fracassados. Essa gente intumesce a mente dos competidores, dando-lhes a ilusão de que devem temer o fracasso. Todo fracasso é aparente. A sabedoria indiana ensina que o fracasso é apenas uma vitória que ainda não chegou. Nutrir a consciência com o preceito de que a competição é mola propulsora da vida é o mesmo que tomar veneno e esperar que o outro morra...
A mola propulsora da vida é a criação!
Toda ação inteligente é criativa, não competitiva. É, à criação, a quem devemos todas as benesses da natureza. Afinal, o que faz a natureza senão criar? E o que fará se não criar? O que fez Deus, além de criar e velar, a fim de que sua criação jamais se extingua? O que fazem os animais além de criar e ser substância para a criação da natureza?
Nada compraz mais a mente do que a criação. Os pilares da criação são inexoráveis. Sabe-se bem: ninguém será melhor ou pior que Jesus, Newton, Galileu Galilei, Getúlio Vargas, Eva (a primeira), Rittler, Cora Coralina, José Saramago, e tantos, porque estes imprimiram no universo e na inteligência a marca indelével de suas criações. Assim como também milhões de anônimos o fizeram e fazem. Deixaram e deixam um legado de criações impagáveis, pois seus valores utilitários superam em muito os monetários. Quem inventou a torneira? Quem se utilizou pela primeira vez de um martelo? Quem se inebriou com idéia de armazenar fogo em fósforos?
A criação é a inteligência da vida. A criação é a única força capaz de produzir resultados tangíveis.
Homens e mulheres prenunciam seus corpos e mentes ao preparo para a criação. A inspiração para a maternidade e paternidade é um instinto de criação herdado da natureza. Tanto o é que o maior bem de um homem e uma mulher são suas criações, são seus filhos. E os filhos, não coincidentemente se denominam de “crianças”.
Nós somos a criação da inteligência divina e criamos para ela, seja lá de que forma ela se manifeste em nós, por isso sempre para a fome, criamos alimentos; para a pobreza, criamos riqueza; para os problemas, criamos soluções; para as tristezas, criamos alegrias, e para incertezas, criamos a fé.
Adeus à competição, a Deus a criação!
Estamos no lastro da criação.
Criar é a nossa vida.
Competir é um equívoco.
Famir Apontes
Amigos criadores, por favor criem comentários sobre o texto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário