sábado, 30 de abril de 2011

WWW de mim mesmo.

Este texto é uma adaptação da terceira aula, do módulo I, do curso Leitura e Interpretação de Textos, dado por mim, on line, no site http://www.learncafe.com/ . É também o texto introdutório da minha palestra NAO ME INTERPRETE MAL.  Depois das devidas licenças e para atender as queridas professoras que, cansadas de ouvir, queriam ler e copiar. Meu muito obrigado e aí está.

WWW de mim mesmo.
Famir Apontes
Eu queria ter o poder de ser a cibernética de mim mesmo.
Ter o poder de exprimir meus sentimentos mais profundos só por “emoctions” via “torpedos”.
Fazer declarações de amor e de amizade, antes escritas em longas cartas ou nos versos das capas dos cadernos, sintetizadas nos “depoimentos” das páginas de relacionamentos.
Transformar o tempo dedicado ao conhecimento do novo pretenso amor, em apenas uma simples e reduzida navegada pelo “perfil do usuário”.
Poder estar sempre junto de alguém, mesmo distante. Não mais em seus pensamentos ou dentro do seu coração, como antes. Mas, “on line”.
Emprestar de ou emprestar para, só por “download ou upload”.
Para aprender “e-learning”.
Para comprar “e- commerce”.
Para me exibir “e-marketing”.
A minha turma? “Orkut”.
A turma rival ? “Facebook”.
Para papear com os amigos “login”.
Para conhecer o mundo inteiro “WWW”.
Para ficar na solidão “off line”.
Para construir a minha história “salvar”.
E esquecer para sempre “deletar”.
O meu corpo “hardwares”.
A minha mente “softwares”.
Fofocas? Twitter.
Suprimir a minha biblioteca por “links”, hiperlinks”, “banners”, “adsenses”, “adwords”, “pop up”, “e-books”, “spams”...
E com ela que se vá também a infeliz bibliotecária, vencida pelo super-inimigo “Google!”.
Eu queria ter o poder de ser o “arquivo” de mim mesmo, “inserir“ e m minhas pastas meus sonhos mais delirantes, “copiar” minhas alegrias, “excluir” minhas tristezas, e, por vezes, “restaurar” a minha lixeira, para corrigir as injustiças cometidas contra alguns “programas”.
Eu queria mesmo ter o poder de ser o “WWW” de mim mesmo.
Poder conhecer e guerrear com meu único demônio: “hackers”.
Demônio de um só pecado: “vírus”.
E embora protegido pela “senha” do meu destino, ter a certeza de que um dia, como tudo que na vida existe, do universo para o nada, o meu “logoff” seria definitivo...

3 comentários:

  1. Nossa que bonito! É meio que uma poesia mais que que moderna. Hoje em dia a vida virual tomou de conta! Porque é fácil! Tudo é mais fácil. Gostei muito. Muito interessante!

    http://espacodapedagogiavaldineia.blogspot.com/

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  2. Saudade, professor. Me senti como se estivesse em sua aula. Como eu queria ter estado nesse curso. É o ser humano conseguindo pensar em meio a tanta parafernália tecnológica. Muito bom ! Queria eu poder brincar com as palavras como você brinca!

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  3. Muito obrigado Helena. Para brincar com as palavras, basta começar...

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