quinta-feira, 26 de maio de 2011

PAINEL LEITURA IV

Como Japão e Estados Unidos conduzem seus programas de leitura.

Nos últimos painéis de leitura, abordamos algumas questões relativas aos problemas que envolvem o cenário do mundo da leitura. Hoje, pretendemos colocar informações acerca da leitura pelo mundo, especificamente no Japão e Estados Unidos.
As informações colocadas aqui são parte de experiências obtidas em programas de intercâmbio profissional, durante os anos de 1997 a 2005. Certamente, muitos aspectos já devem estar redimensionados. De qualquer forma, estes relatos servem de parâmetros para um entendimento dos paradigmas oficiais de condução da leitura nesses países.

NO JAPÃO.
A educação japonesa é uma das mais sistemáticas do mundo. Centrada em princípios de tradições milenares, a escola é a instituição mais respeitada no âmbito social. Os professores são os profissionais mais bem valorizados, tanto socialmente, como financeiramente, no país.
Por outro lado, a educação no japão é fortemente centralizadora. O órgão responsável pela articulação do sistema mantém absoluto controle sobre todos os aspectos de funcionamento operacional e logístico da educação. Os professores são civil e crimenalmente responsáveis pelos alunos e a escola tem sobre si a incumbência de tornar a ciência  e o desenvolvimento social equitativos.
No japão, a socieadade não está bem enquanto o indivíduo não estiver bem.
O espírito coletivo sobrepõe-se ao individual.
Neste sentido, as escolas planejam e executam atividades com ênfase no coletivo. Os programas de leituras também obedecem a esta diretriz. A leitura, no Japão, é promovida como atividade principal da escola e permeia todas as outras atividades. Os ambientes são totalmente voltados para a prática de leitura. Os estímulos estão por toda parte e intentam mobilizar todas as capacidades cognitivas do estudante. Todas as escolas e em toda a escola, a leitura deve ser propiciada à interação.

O grande êxito do programa de leitura do Japão reside no fato de tornar a escola a agência oficial de fomentação e desenvolvimento da leitura. A sociedade japonesa entende, com clareza, que o conhecimento está armazenado em ideogramas (sistema de escrita japonesa). Além disso, reconhece que o domínio da leitura demanda o trabalho de uma instituição própria para isto, com bases sólidas, condições estruturais, respeitabilidade social e natureza coletiva.
A escola no Japão propõe exclusivamente a este papel. Não cabe a ela assumir responsabilidades de dirimir mazelas sociais ou co-operar programas do âmbito de outras áreas sociais como a segurança pública, ou a assistência social.
O papel do professor é estar voltado com prioridade ao ensino e, na mais remota das hipóteses, assumirá funções afetas à orientação moral, cujo papel é, secularmente da família.
A leitura, neste cenário, não é tratada apenas como uma atividade a mais da escola. Ela é a atividade da escola. Os alunos nutrem a consciência de que a sua responsabilidade incide, em primeiro lugar, na manutenção dos preceitos morais adquiridos com a família e exigidos pela sociedade e, em segundo, que o domínio da leitura é tarefa indiscutível, na sua formação escolar.

ESTADOS UNIDOS   
As informações que ora apresentaremos sobre os Estados Unidos datam de 2005, quando George Bush assumiu o seu segundo mandato. Nesta época os Estados Unidos promoviam uma série de programas para a implantação de uma nova LDB, baseada na política do "No child left behind" (nenhuma criança deixada para trás).
O complexo sistema político dos Estados Unidos deve ser considerado no entendimento do compartilhamento sistêmico da educação norte-americana. Ao mesmo tempo em que existem normas federais, existem normas estaduais com as quais elas devem co-existir. Não uma sobreposta à outra. Mas uma e outra na mesma dimensão administrativa.
Em alguns estados norte-americanos, existe a figura de órgãos como conselhos escolares regionais com a competência até de contratar e demitir professores.
No plano pedagógico, o governo federal exige que haja equidade de resultados entre as escolas, desconsiderando qualquer diferença estrutural, logistica ou regional. As escolas devem responder para a sociedade de forma uníssona.
Mas, naquela época muitos empecilhos impediam que os desejos governamentais se concretizassem. A existência de escolas próprias para migrantes latinos, o gande fluxo migratório, a instabilidade econômica, a miscelânia cultural e as dificuldades sociais invadindo as escolas eram os principais deafios a serem vencidos para a consecução das metas governamentais.
Coloque-se, aí, como um dos problemas pedagógicos o baixo nível de domínio da leitura entre os estudantes estadunidenses.
Uma das estratégia adotadas na época foi a adoção, em alguns estados, da hora da leitura. Consistia em todas as escolas desenvolverem uma hora de leitura no início do turno escolar, em toda a escola e em qualquer disciplina.
Tal como o Japão, os norte-americanos dão à leitura papel de destaque no cenário social e educacional. É comum ver ex-presidentes manterem, às expensas de fundações, bibliotecas em seus estados de origem. Um dos exemplos é o presidente Bill Clinton que mantém uma biblioteca agregada a centro de estudos sociais em Little Rock - Arcansas, seu estado natal.
Esta consciência de aproximação com a leitura direciona a ambientação das salas de aula, laboratórios e outros ambientes escolares, de forma a criar estímulos para os estudantes interagirem com a leitura.
Além disso, um forte arsenal bibliográfico é mantido nas bibliotecas das escolas. Aparato este que é exaustivamente explorado, no sentido de exigência didática, como recurso de aprendizado e formação de hábito nos estudantes. Os resultados destas estratégias ainda não satisfaziam os planos governamentais e as escolas também rediscutiam com insistência o sucesso destas logísticas.

Um comentário:

  1. Acessei famirapontesblogpost.com e fiz a leitura no seu Painel de leitura sobre como é tratada a educação e leitura no Japão e estados Unidos. Todas as linhas refletem sobre meus pensamentos desde o primeiro dia em que entrei em uma sala de aula. E isso não faz muito tempo não. Há quase um ano e meio deixei as teorias, sai de trás da mesa e na prática em sala de aula me deparei com a realidade de algumas escolas. A partir daí, quanto mais eu vejo situações que parecem banais para alguns educadores mais eu penso, reflito, indago sobre o futuro dos nossos jovens e sobre o que está sendo feito de concreto para garantir sua convivência na sociedade . O que está sendo feito para que um dia não venham a atingir e ser atingidos pela violência de forma tão precoce como vemos diariamente na TV.
    A partir dos meus pensamentos passo a sonhar com o dia em que a leitura possa ser priorizada e que a educação tenha dias melhores. O discurso da TV é lindo e maravilhosa Infelizmente muitas das escolas brasileiras funcionam de forma diferenciada, E isso começa pela estrutura das escolas, que não oferecem espaços e nem momentos destinados à prática da leitura. Seria bom que se fizesse no Brasil as situações que ocorrem nos Estados Unidos onde acontece um atividade chamada “hora da leitura”, que é praticada em todas as disciplinas.
    Seria bom ainda se no Brasil fosse como no Japão e os professores pudessem ser valorizados e tivessem somente a tarefa de ensinar , que se preocupassem com os problemas sociais, que não tivessem que se preocupar com o fato de a criança ter presenciado o assassinato do pai e do padrasto, ou se visita o pai na cadeia.
    Quem sabe se um dia alguns de nossos governantes parem de falsear a realidade com programas sociais e se preocupassem com a crueldade, a violência, a falta de valores e o abandono das crianças. Vejo que elas e até mesmo os pais pedem socorro.Ouvi outro dia uma mãe dizer que era muito difícil conseguir um psicólogo para o filho. Isso não deveria ser um problema e sim a solução ou pelo menos a amenização da dor que possivelmente sente. Quem poderá ajudar essas crianças senão os órgãos competentes, não é?
    Mas o sonho não termina. Apesar de algumas vezes me sentir impotente diante de algumas situações , faço a minha parte e continuo sonhando. Ainda mais quando vejo um painel de leituras que pode assegurar que estou no caminho certo.

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